Indústria da carne discrimina imigrantes no Paraná e em Santa Catarina

Estados do Sul do Brasil, sobretudo Santa Catarina e Paraná, foram os principais destinos de imigrantes haitianos que buscaram refúgio humanitário no Brasil entre os anos de 2012 e 2015.

Com parte destes trabalhadores tendo encontrado emprego na indústria da carne, hoje, anos depois, começam a vir à tona denúncias de racismo, xenofobia e desrespeito aos direitos destes imigrantes haitianos em seus trabalhos, e também de imigrantes vindos da África, sobretudo de Senegal e do Congo.

Acúmulo de violações

Entre 2012 e 2015, o Brasil recebeu uma quantidade expressiva de imigrantes provenientes do Haiti, país que passava por uma grave crise social, econômica e política. Chegando pelo Norte do Brasil, principalmente pelo Acre, muitos desses imigrantes viajaram diretamente para o oeste catarinense e paranaense, locais onde há grande concentração de frigoríficos.

Em 2014, por exemplo, Santa Catarina foi o estado brasileiro que mais contratou haitianos, com 6.813. Na sequência estava o estado do Paraná, que empregou 5.220 haitianos, e depois São Paulo, com 5.174. Chapecó, considerada capital do agronegócio catarinense, foi a segunda cidade em todo o país que mais contratou imigrantes desta nacionalidade.

Com isso, a partir desta época também começaram a ser registrados casos de discriminação racial e xenofobia envolvendo estes trabalhadores, envolvendo também denúncias de informalidade e desrespeito às leis trabalhistas do país.

Sem políticas nacionais ou locais para receber os imigrantes nestes estados, o que se identifica é um processo de violações sobrepostas, combinando xenofobia, racismo, desrespeito aos direitos trabalhistas e baixos salários.

Em muitos casos há dificuldade do Ministério Público do Trabalho dar seguimento às denúncias pela dificuldade em se coletar provas e evidências das más condutas dos frigoríficos e empregadores.

No entanto, com novas tecnologias como aplicativos de mensagens e redes sociais é mais possível que haja algum tipo de registro das atividades por parte dos trabalhadores, o que as autoridades ressaltam ser fundamental.

Fonte: Sintrial dois vizinhos