Por que os trabalhadores são os únicos atingidos pelas crises econômicas?

O sistema econômico em que vivemos é o capitalismo. Isso significa que os meios de produção são propriedades privadas voltadas para o lucro, e não para a suprir as necessidades dos seres humanos. Por esse motivo, as crises econômicas geradas pelos próprios capitalistas afetam principalmente o andar de baixo da pirâmide, ou seja, os trabalhadores.

Os números relativos ao desemprego no mundo ilustram essa realidade. A última grande crise do capitalismo em nível global explodiu nos Estados Unidos em 2008. A consequência mais trágica foi percebida pelos trabalhadores quase imediatamente: entre 2008 e 2009, a desocupação passou de 5% para 5,6% em nível global.

Os dados são de um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que indica também que o número de desempregados só atingiu o patamar pré-crise – ou seja, os 5% – em 2019. Enquanto os bancos não pararam de lucrar na última década, a recuperação na geração de empregos levou quase 10 anos para se tornar realidade.

O relatório não apresenta informações precisas sobre a qualidade das vagas criadas, mas aponta que 61% dos trabalhadores do mundo estão no mercado informal, que, como se sabe, é marcado pela ausência de direitos trabalhistas e pela instabilidade.

Contradições no Brasil

No Brasil, que sentiu ligeiramente a crise econômica de 2008, essa contradição entre os ricos e os trabalhadores também ficou clara: enquanto o país registrou queda de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2009, o lucro dos bancos foi recorde no mesmo período.

Cerca de 10 anos depois, o cenário não é muito diferente. A taxa de desemprego chegou a 12,5% no trimestre terminado em abril, atingindo 13,2 milhões de brasileiros, mas os quatro maiores bancos do país registraram lucro recorde, com o aumento de 20% entre 2017 e 2018.

Para a presidente do Sintrial Dois Vizinhos, Marilene Martins Moreira, essa é a face cruel do capitalismo: enquanto os trabalhadores sofrem as consequências das crises, as elites financeiras mantêm seus privilégios.

“A classe trabalhadora é responsável pela geração de toda a riqueza de um país e, na contramão de sua importância, continua refém das decisões de elites que só querem lucrar. Mais do que nunca, é preciso lutar contra esse sistema econômico baseado na exploração e no sofrimento”, afirma.

Fonte: Sintrial Dois Vizinhos