Pandemia faz sim distinções e reflete desigualdade social

A pandemia da Covid-19, diferente do que se pregava não distinguir pessoas, distingue sim. As taxas de mortalidade dela refletem as desigualdades sociais ao serem maiores em trabalhadores de regiões mais pobres e com menor qualificação.

Esta constatação vem de um estudo em um país menos desigual que o Brasil, o Reino Unido. Lá descobriu-se que a taxa média de mortalidade entre homens que trabalham em profissões manuais é de 21,4 por cem mil habitantes, enquanto que de trabalhadores de colarinho branco e salários altos é de 5,6.

Seguranças (45,7), operários fabris (37,7), motoristas de táxi e serviços afins (36,4) e motoristas (25,9) são as categorias mais vulneráveis. Operários de construção civil, cozinheiros, trabalhadores do setor de cuidado e limpeza também estão entre os mais vulneráveis.

Entre as mulheres, trabalhadoras de prestação de cuidados têm duas vezes mais chances de morrer de Covid-19 que trabalhadoras de funções mais técnicas. A mortalidade entre mulheres mais baixa que dos homens.

Entre regiões, as diferenças também mostram grande diferença. Na Inglaterra e País de Gales, há mortalidade de 55,1 por cem mil habitantes em regiões mais pobres e 25,3 em regiões mais ricas. Muito tem a ver com salubridade trabalhista e recursos para acesso à saúde, mesmo o Reino Unido tendo um sistema público de saúde (inspiração para o SUS, inclusive).

Extrapolando para o Brasil, onde as diferenças sociais são infinitamente mais escandalosas, podemos observar alta mortalidade em bairros de periferia se comparado com bairros mais ricos (em São Paulo está sendo visível, por exemplo). E isso é um alerta muito pesado em um momento em que os governantes decidem expor justamente os trabalhadores mais vulneráveis em pleno pico da pandemia.

Fonte: Sintrial